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quinta-feira, 27 de março de 2014

Lembranças, inquietude e indecisão




      A dor que consome os sentidos parece zumbir os ouvidos atormentando o caminho que se percorreu. As lágrimas correm como um rio que diluem certezas e virtudes revelando indecisão. O vento não soprado é ânsia de um novo tempo aguardado entre folhas e rabiscos pelo chão.

Pode ser fome, pode ser sede, pode ser desesperança, pode ser angústia ou ansiedade que inquietam o coração.

O rastro do sono perdido escolhe um motivo para o consolo bem vindo que acalma e estende a mão.

O choro escondido, o perigo de ser visto, o pensamento arrependido a indecisão de se lançar no risco.



Nada parece ter sentido.

Nem a folha que cai no abismo.

Nem a ave que anuncia a despedida.

Nem a alegria esquecida.
Tudo se move sem brilho.



De repente o sol surge distante. Reacende a claridade e preenche a cidade vazia. As nuvens ensaiam sair de cena para dar lugar ao novo dia. O mar reflete aquele verde de esperança. O vento volta a soprar mudança, a criança dilata aquele sorriso que encanta...

O homem segue em frente e deixa de viver só de lembranças. (Thiago Camara)

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Mãos que se juntam



Suas mãos estavam separadas. Não se olhavam, não se falavam, nunca mais haviam se encontrado. Estavam secas, ásperas, machucadas. Sentiam o peso do cansaço. Queriam apontar para o rumo certo e sair daquela estrada deserta onde não se enxerga um novo céu.
As mãos viviam desiludidas. Sonhando, deixaram de esperar. Esperando, deixaram de rezar. Seguindo, esqueceram de se reinventar. Faltava chegar aquele tempo. O momento oportuno para transformar a dor em fruto. Deixar a alegria desbancar o luto. Era um sinal. Era real, era, enfim, Natal.
Suas mãos voltaram a se tocar. Juntas se fortaleceram e voltaram a sonhar. Permaneceram unidas naquela fé de esperar. Sabiam que agora sim poderiam se transformar. Indicar novos caminhos, buscar outras soluções, se lançar no vazio para preenchê-lo com decisão.

E foi só o menino nascer que as mãos também se lembraram de agradecer. Por todos os dons que Ele fez nelas renascer. Pela vida nova que elas voltariam a se abastecer. E pela certeza de Ele nunca se esquece de quem um dia quis o reconhecer.   

Feliz Natal!
            Que Jesus renasça e renove a sua esperança,
            Thiago Camara 
  

sábado, 23 de novembro de 2013

Mudar o tom da canção



Quando a vida desafina e nada mais parece um belo e agradável som. É preciso ter coragem pra mudar o tom. Ajustar as notas, entoar novos acordes e seguir na canção. Um compasso bem marcado, nem sempre revela a harmonia de um tempo suave que ressoa pelos ares agradando mentes e corações. Um compasso desajustado pode ser só um pretexto para que a harmonia volte a impulsionar uma multidão.

O tinindo do diapasão ajuda o ouvido a sintonizar razão e emoção. O passo seguro nem sempre é certeza de exatidão. Pode ser aberta ou fechada, uma nota traz beleza e imensidão. Se um dia a gente acorda com dó de si mesmo. Sabe que no outro vem a certeza do sol que brilha mesmo tendo um ré teimando em voltar pra escuridão.

Quando tudo parecer perdido. Quando não houver mais sentido. Quando o som não soar bem, as notas saírem com ruídos e os músicos não quiserem mais cumprir seu ofício, ainda haverá um lá de esperança, um sol na lembrança de um mi daquela alegria escondida num faro de quem reconhece as curvas da vida.

O segredo pode não existir, mas o incentivo virá, donde talvez nem se possa esperar e uma voz segura vai entoar: Faça-se de si um mi maior num lá menor de rancor, tristeza e solidão. E cresça-se num ré maior onde um si menor te espera para desfrutar de um eterno sol maior a embalar sua história-canção. (Thiago Camara)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Um Papa na esquina


Papa Francisco passa pelas ruas da Glória (Fotos: Aline Corte Real)


Já era anunciado desde março que ele viria ao Rio, para Jornada Mundial da Juventude. O que ninguém esperava era que em uma semana o Papa Francisco se transformasse numa presença amiga, constante, marcante e surpreendente por onde passasse.
Assim o foi. Logo na sua chegada, o simpático hermano enfrentou o caos do trânsito carioca. Nada que não fizesse em sua Buenos Aires onde pegava ônibus e metrô para se locomover. Na Presidente Vargas, ele sentiu na pele o que passa o cidadão todos os dias na hora do rush. O povo na rua o acolhia. E ele, dentro de um carro popular, não mudou seu humor. Acenou, sorriu, abençoou. E preocupou as autoridades que trocaram farpas entre si sobre a responsabilidade do erro de segurança.


Os dias se seguiram e era comum ver Francisco sempre com as janelas abertas, transitando pela cidade. Os batedores anunciavam o amigo que viria para mais um compromisso da sua lotada agenda. Ele passou pela Glória, Praça da Bandeira, Rio Comprido, Botafogo, entre outros bairros. Deixava uma esperança no ar. Uma certeza de ser portador de um Deus da paz.
O que Bergoglio fez enquanto Francisco não é muito diferente do que fazia em Buenos Aires. Hoje ele é motivo de orgulho entre os de lá como me contaram vários peregrinos argentinos. Seu trabalho pastoral, principalmente entre as áreas pobres da capital da Argentina, estava impregnado na sua primeira visita apostólica. E suas atitudes conquistaram os brasileiros. Católicos ou não.
Francisco foi humano. Como seu santo homônimo. E por ter sido, assim espontâneo ainda causa estranheza em alguns que veem suas atitudes como estratégicas. Podem até ser. Mas num mundo sedento por referenciais, na ausência de líderes coerentes com seus propósitos, o Papa emerge e se destaca. Porque não só faz seu discurso e manda que os outros façam o que diz, ele realmente vive o que prega.


Nestes dias de JMJ no Rio, o costume de ver o Papa em cada esquina virou festa, alegria, muitas vezes euforia. E em nenhum momento este homem foi pedante e indiferente, como vimos muitos que saem das sacristias, pastorais e movimentos certos de que o céu a eles já está garantido.

Francisco ensinou muito com seus discursos e homilias. Na força com que entoava suas palavras. Porém, o seu legado para esta cidade e para o mundo é de que é possível viver uma vida cristã autêntica, alegre, jovem, comprometida e coerente. Sendo você mesmo. E que a mesma acolhida que sentimos de sua parte a cada bênção, aceno, sorriso e abraço por ele dado, seja agora nosso referencial de conduta enquanto cristãos católicos. Assim as pessoas voltarão a sentir prazer em frequentar a casa do Pai e ocuparão os bancos vazios da igrejas. (Thiago Camara)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Ele é esperança



Ela nasce no escuro e surge no horizonte noturno onde os olhos não podem ver

Ela surge brilhante, uma luz incessante que aquece o peito de quem a resolve acolher.

Ela renova a lembrança de um ser que avança sem medo de viver.

Ela é a liberdade de sonhar, a certeza de alcançar, a graça que há em amar.

Ela se faz menino que mesmo sem abrigo decide em nós renascer.

Ela se chama esperança, mas também tem por nome Jesus. 


Feliz Natal e um 2013 cheio de esperança! 

Thiago Camara