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quinta-feira, 27 de março de 2014

Lembranças, inquietude e indecisão




      A dor que consome os sentidos parece zumbir os ouvidos atormentando o caminho que se percorreu. As lágrimas correm como um rio que diluem certezas e virtudes revelando indecisão. O vento não soprado é ânsia de um novo tempo aguardado entre folhas e rabiscos pelo chão.

Pode ser fome, pode ser sede, pode ser desesperança, pode ser angústia ou ansiedade que inquietam o coração.

O rastro do sono perdido escolhe um motivo para o consolo bem vindo que acalma e estende a mão.

O choro escondido, o perigo de ser visto, o pensamento arrependido a indecisão de se lançar no risco.



Nada parece ter sentido.

Nem a folha que cai no abismo.

Nem a ave que anuncia a despedida.

Nem a alegria esquecida.
Tudo se move sem brilho.



De repente o sol surge distante. Reacende a claridade e preenche a cidade vazia. As nuvens ensaiam sair de cena para dar lugar ao novo dia. O mar reflete aquele verde de esperança. O vento volta a soprar mudança, a criança dilata aquele sorriso que encanta...

O homem segue em frente e deixa de viver só de lembranças. (Thiago Camara)

domingo, 17 de novembro de 2013

Ele, Ela e o Mar




Chegava apressado, como se o tempo o desafiasse a correr além do seu ritmo. Pensava estar atrasado para cumprir seu compromisso. Dias e noites passaram e a razão sugeria que o melhor era desistir. O coração alertava que o rumo certo era seguir. E assim o fez.

Diante daquela imensidão viu seu rosto relaxar. O vento bagunçava-lhe os cabelos. As pernas sentiam-se envolvidas pelo ar. E suas mãos suavam daquela ansiedade de esperar.

Avistou de longe um vulto. E, logo, ficou mudo. O silêncio o impedia de continuar. Teve receio de um passo em falso dar. Imaginou o que seria se tivesse voltado a toa àquele lugar.

Recuperado do susto, coragem em punho, caminhou ao encontro do mar. Ela estava lá.  À sua espera. Ela e o mar. Um quadro emoldurado para em sua mente eternamente habitar.

O encontro, o sorriso, o suspiro, o som das ondas a embalar. Um enlace perfeito que aguardava só o tempo certo para se concretizar.

A alegria, a saudade, a coragem em se lançar. Seguir a partir dali.  Rumo ao infinito. No claro ou escuro, ter a certeza de que juntos navegariam naquele mesmo mar.

A paz passeava por ali com a brisa a soprar. Ali começava para eles um novo céu. Uma nova terra eles iriam habitar e para sempre seus olhos iriam se sustentar.

Depois do encontro não foram mais vistos. Diante daquele imenso mar, não deixaram sinais ou vestígios. Só se sabe que, naquele instante, o amor escolheu a casa deles pra morar. (Thiago Camara) 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Os sentidos do mar





Teu cheiro disputa espaço com a maresia que o vento traz das ondas.
Sua voz sussurra em meu ouvido teus desejos de me amar.
Teu toque é suave e decifra meus segredos ao acordar.
À mesa, doces divinos nos congregam. Aguçam mente e paladar.
Olhares que se fixam e se apaixonam. Encontram um no outro o descanso. Enxergam o sorriso manso. Renovam a esperança de um dia eternizar o sentimento revelado a cada novo olhar.
O mar nos brinda com seu balanço compassado, o jeito que o Criador tem de nos ensinar a nos respeitar.

Todos os sentidos renovam a fonte de alegria que é guardar um ao outro tendo o coração como lar. (Texto e Foto: Thiago Camara)