domingo, 21 de julho de 2013

Fé renovada na Semana Missionária



Oitenta jovens da Guatemala viveram a Semana Missionária em Magé 

Peregrinos da América Latina, Europa e até da Oceania viveram a Semana Missionária em dioceses do Regional Leste 1. Nova Friburgo, Petrópolis, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, entre outras cidades acolheram jovens de realidades bem diferentes da brasileira. O encontro termina neste domingo, 21 de julho, e foi uma preparação para a Jornada Mundial da Juventude que começa terça-feira, 23 de julho, no Rio.
Hospitalidade, entusiasmo, alegria, simplicidade e a fé do jovem brasileiro foram características que impressionaram os peregrinos de outros países. Melania Luka –Lui atravessou o globo para conhecer a Diocese de Duque de Caxias e vai voltar para sua Nova Zelândia com coragem para anunciar o Evangelho de Jesus Cristo.
- A Igreja na América do Sul é um exemplo para todos nós. Vocês não têm vergonha de expressar a fé. Estar aqui nos encoraja a seguir nossa missão e pode ajudar os trabalhos que fazemos com a juventude de lá. Além disso, vocês nos revelam a simplicidade da vida, afirmou emocionada.


Na Diocese de Caxias peregrinos dos EUA, Dinamarca, Nova Zelândia e Índia

Esta simplicidade e um chamado do Espírito Santo atraíram o canadense Michel Thompson que veio com a família para Jupaíba, Diocese de Nova Friburgo. Ele conta que em oração decidiu vir ao Rio para a JMJ e teve revelado o local para ficar durante a Semana Missionária.
- Orei muito e de alguma forma Nova Friburgo veio ao meu coração. O Espírito Santo mostrou-nos a rota para chegar até aqui. Queríamos mesmo ficar fora das grandes cidades, ver o campo, conhecer o modo simples como as pessoas vivem, conta.
Em Magé, Diocese de Petrópolis, jovens da Venezuela e da Guatemala se encantaram com a alegria e empolgação dos brasileiros nas atividades realizadas durante a preparação para a JMJ. Maria Fernanda, da Guatemala, revela que quer incendiar a igreja de lá com seu testemunho e esperança do que viu no Brasil. Seu conterrâneo, Edwin José, também acredita que os exemplos do Papa Francisco podem contagiar os jovens guatemaltecos a seguirem firmes na fé.
- Muitos crêem que a Igreja está morta. Queremos mostrar o contrário, explica Gerson Oswaldo, também da Guatemala.
Italianos mostram uma Igreja viva na Diocese de Nova Iguaçu
A experiência missionária impactou a vida dos paroquianos de Nossa Senhora de Fátima, em Belford Roxo, Diocese de Nova Iguaçu. Como Matheus Salino, 18 anos, que coordenou a acolhida e hospedagem de italianos, argentinos e paraguaios.
- Posso levar para minha vida pessoal a certeza de que sou capaz de viver com qualquer pessoa. Principalmente as diferentes de mim. (Thiago Camara)

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Manifestação em Fortaleza



Em Fortaleza, a seleção brasileira venceu o segundo jogo na Copa das Confederações. Mas o placar de 2 a 0 em cima do México, não foi o mais importante. Mais uma vez manifestações tomaram o país. O entorno do estádio Castelão não ficou imune. 50 mil pessoas participaram do ato de protesto contra corrupção nos gastos com os estádios. Segundo o estudante, Lucano Lobo este foi o maior ato que ele já participou, na capital do Ceará. Leia o relato feito por ele abaixo:   



“A galera começou a se concentrar no Makro, antes das 10h da manhã. Eu e alguns amigos chegamos lá era pouco mais de 11h e já tinham cerca de 5 a 6 mil pessoas. Tentamos esperar até às 12h, como ficou marcado a ato de sair, porém a galera agitou muito, muito, muito e acabamos indo.

Passamos por uma primeira barreira só da AMC (Autarquia Municipal de Trânsito Serviços Públicos e Cidadania), um órgão que cuida do trânsito. Antes mesmo da gente passar, eles retiraram os carro do caminho.
Logo quando chegamos na linha com a cavalaria, eu estava mais afastado da linha inicial.  A marcha ficou estagnada. Foram palavras de ordem para lá e para cá... Por quase 30 a 40 minutos, houve muita agitação. Ao final deste tempo, uma palavra de ordem pedia à cavalaria para recuar. Ela recuou para trás do choque, a gente avançou mais alguns metros. Alguns amigos meus, nesse momento, estavam na frente e relataram que o choque tava provocando a galera, apareceu um esquentado e a gente ouviu o primeiro tiro. Todo mundo se calou, prestou atenção, o povo da frente começou a correr mais para trás.

Depois eram começaram a ser lançadas de 15 a 20 bombas de gás por vez. A gente avançava, dispersava, se reorganizava e voltava ao ponto onde o choque estava. Isso tudo ocorreu ao lado de algumas casas, a galera subiu no telhado e começou a jogar pedras. O choque recuou. Quando a gente avançou, eles começaram de novo e encurralaram uma galera que correu para uma ‘ruazinha’. Neste local tinha um carro da AMC, e a galera virou o carro e, ou ele pipocou sozinho ou botaram fogo nele. Não deu para ver direito.

Entre 13h30min e 14h, os torcedores do jogo começaram a chegar.  Neste instante, o choque parou de jogar bomba de gás, mas partiu para o cacete de quem tentasse passar, e eles eram 300 (no início), além de um ônibus que chegou nessa hora. Com isso, e não conseguindo mais avançar, a galera partiu pela Rodovia BR 116 onde havia uma longa caminhada até a próxima barreira policial... Eu, particularmente, andei até às 16h, hora que o jogo começava. Uma companheira nossa começou a passar mal, não havia comido direito + gás +desespero+uma doença que ela ainda não tinha curado direito. Conversamos com a polícia estadual daqui, que estava fazendo o apoio e fomos para um hospital, quando eu cheguei lá o jogo tinha começado.

Conversando com outras pessoas, parece que a barricada final foi a mais agressiva. O jogo já estava acabando e eles queriam dispersar mais rápido. As balas de borracha que eram poucas, até antes, foram grande maioria, as bombas de efeito moral foram lançadas por helicópteros e etc...” (Lucano Lobo*)


*Lucano Lobo é estudante da Universidade Federal do Ceará e escreveu seu relato para este Blog. 

terça-feira, 18 de junho de 2013

"O Congresso é nosso"



Eles achavam que tinham vencido. Levaram nossa dignidade. Roubaram até nossos ideais. Mas os 20 centavos nos fizeram descobrir quanto vale mudar o curso da história. O povo despertou do coma profundo. Quase duas décadas de inércia, paralisia alienante, desembocaram num grito inflamado, que reverberou pelas ruas do país.

Um formigueiro humano no Centro do Rio. Uma multidão nas ruas de São Paulo. Momentos pra eternidade. Mas nesse 17 de junho, não houve momento mais emblemático, ato mais simbólico, do que a tomada pacífica do Congresso Nacional.
O centro das decisões políticas do país virou o epicentro dos protestos na capital. A melhor representação pro que há de pior na política brasileira ontem ganhou um novo sentido. A marcha começou lenta, subindo a Esplanada a caminho do alvo final. As armas? Faixas, cartazes e o grito preso na garganta que ecoou já próximo ao espelho d´água: "O Congresso é nosso", avisavam os manifestantes.

Dez mil vozes bradando, em uníssono, contra a completa desmoralização da política brasileira. A perpetuação de Sarneys, Felicianos, Renans (e Agnelos, na esfera distrital). Os gastos abusivos da Copa do Mundo e das Confederações. Os instrumentos e mecanismos legais pra garantir a impunidade - traduzida na PEC 37.

Um movimento apartidário, que se vê agora numa encruzilhada: Que caminho seguir? Que agenda política adotar? Respondo a esses questionamentos com outra pergunta. Quem se importa? Melhor um povo que se move por várias causas do que um que se cala por nenhuma.

Brasília estancou um verdadeiro conflito DE gerações - não ENTRE gerações! Os mais velhos revivendo o passado na eterna luta pelo país do futuro que ainda não chegou.

Mas a cara do movimento tinha mesmo espinha no rosto e a coragem típica dos jovens. Eles saíram do facebook. E , como nossos pais já diziam, descobriram que viver é melhor que sonhar. Muitos deles sequer podem votar. Mas já entenderam que basta um pouco de vontade pra mudar o país. Outros, viviam uma espécie de iniciação política – não sabiam bem porque estavam lá, mas impulsionaram o movimento fazendo coro ao grito.

A essa altura, a barreira policial já não conseguia conter os manifestantes, que vinham por todos os lados. Invadiram o teto, ao lado das cúpulas da Câmara e do Senado, imprimindo um novo conceito à estéticaniemeyeriana. O monumento projetado pra que pudesse ser visto a quilômetros de distância, agora mostrava uma faceta desconhecida da cidade.

A rampa do Congresso escoou a multidão que ali se aglomerava e encurtou o caminho para a última trincheira antes da invasão, que parecia iminente.

Milhares reunidos no gramado, a apenas alguns metros do vidro que protege a casa. A veia saltava. O coração acelerava. As pupilas dilatavam. Braços em riste. Quem ali nunca sonhou em fazer justiça com as próprias mãos? Mas esse não seria o desfecho de uma noite gloriosa. Me pergunto se essas horas de tensão serviram pra amadurecer mais a democracia do país ou os jovens que ali estavam.

Histórias cruzadas que ainda vão se entremear tantas vezes - nas urnas, nas ruas ou, porque não, no próprio Congresso? Os manifestantes voltaram pra casa de alma lavada, só que o protesto não parou por ali.


O recado foi dado: ninguém aguenta mais! Eles podem até tapar os ouvidos. Fechar os olhos. Silenciar diante do povo. Mas, com certeza, sentiram o golpe. (Gustavo Serra*)
Gustavo Serra é jornalista, mora em Brasília e acompanhou a tomada histórica e pacífica do Congresso Nacional. "A casa do povo", como é conhecida, assim o foi naquela noite de segunda-feira. 

A rua a quem ela pertence


Ponte estaiada repleta de paulistanos na manifestação de segunda-feira

“O povo acordou” – e não vai mais dormir. A frase entoada nos quatro cantos do Brasil, nesta segunda-feira, era a síntese do que se via por todos os lados: já passava de meia-noite e milhares de pessoas continuavam nas ruas – e nas redes sociais – compartilhando emoções, imagens e memórias de um dia que já virou História no país.
Nunca uma segunda-feira foi tão esperada por tantas pessoas. Cem, duzentas, trezentas mil... O número exato já não importa. O Brasil saiu às ruas como não fazia há tempos. E gritou o que estava entalado na garganta. Não se tratava mais – ou apenas – de 20 centavos. O que começou com uma indignação pelo aumento das tarifas do transporte público virou algo muito maior. Depois de manifestações reprimidas violentamente pelo Estado, as pessoas saíram de casa para relembrar que o espaço da democracia é a rua.
Em São Paulo, a cidade que nunca para – a não ser nos engarrafamentos – milhões de automóveis sumiram do caminho para dar lugar a milhares de pessoas. Mas não foi só ali. Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Maceió, Belém, Rio Branco... Os protestos se espalharam como pólvora por todo o país.
Mas de pólvora quase nada se viu. O que explodiu no asfalto, dessa vez, foi a mais pura brasilidade. Daquelas que otimismo, criatividade, bom-humor e repulsa  cabem num mesmo cartaz, num mesmo grito de guerra. Democracia, educação, saúde, fim da corrupção, direito à manifestação pacífica, transporte público acessível e de qualidade... Estava tudo ali, num mesmo caldo de reivindicações.
E que, aquilo que nasceu da indignação pelo aumento das tarifas do transporte público, não fique sem resposta. Os governos precisam ceder à pressão da população e oferecer uma solução para a questão do alto preço do transporte, além de se abrir para a elaboração participativa dos planos de mobilidade das cidades.
Após décadas e décadas de incentivo ao transporte privado, está na hora de repensar este modelo exaurido e garantir volumosos recursos em transporte coletivo. O problema da mobilidade urbana nos grandes centros urbanos brasileiros não pode mais ser ignorado. O principal caminho para solucioná-lo é um transporte coletivo acessível e eficiente. (Bernardo Camara*)
*Bernardo Camara é jornalista e morador de São Paulo, de onde participou da histórica noite de segunda-feira, 17 de junho de 2013

segunda-feira, 17 de junho de 2013

#oGiganteAcordou



O Gigante acordou. E não acordou rude, mal humorado, desalinhado. Levantou de um longo sono unido, bonito, pacífico, ordeiro, intenso. Na histórica segunda-feira, 17 de junho, o Gigante reuniu cerca de 250 mil pessoas, em onze capitais, simultaneamente. Impulsionados pelas redes sociais, milhares de jovens saíram do sofá e foram protestar nas ruas. No Distrito Federal, o Congresso Nacional foi tomado por manifestantes de forma pacífica. Emblemática noite de segunda-feira
Mar de gente na Av. Rio Branco. E não era carnaval. Era manifestação 
O Rio de Janeiro reuniu 100 mil pessoas. Todo o tipo de gente no asfalto da Rio Branco. Eram jovens do Ensino Médio, universitários, trabalhadores em geral. Uma brava gente, bem brasileira que cantava palavras de ordem contra o aumento da passagem de ônibus e os gastos com a Copa do Mundo.
O clima era ameno. E uma comunhão de insatisfação gerou um belo espetáculo de cidadania. No asfalto, os jovens eram maioria. No alto dos prédios, pessoas incentivavam a manifestação. Acenando, jogando papeis e piscando as luzes das janelas demonstrando adesão. Lá embaixo, a galera ia à loucura. Sentiam que estavam fazendo história.
Theatro Municipal ocupado sem danos ao seu patrimônio
Os manifestantes atuaram de forma organizada ao longo do trajeto da Candelária à Alerj. Já na rua Primeiro de Março, uma minoria destoou do movimento pacífico e tentou manchar com vandalismo e violência uma noite majoritariamente de paz. As emissoras de tevê aberta até tentaram exaltar só este fato. Mais uma vez as redes sociais, revelaram seu protagonismo. Era de lá que vinha a verdade. O movimento foi registrado por posts, tweets, comentários, fotos. Na Cinelândia, o Theatro Municipal foi tomado em suas escadarias e janelas e emitiu nota, pelo Facebook,  "que durante a manifestação nenhum dos seus prédios sofreu qualquer dano, apesar do grande número de pessoas que participaram da passeata de hoje à noite". 

O Gigante acordou no momento certo. Os olhos do mundo estão voltados para ele. Mostrou sua cara. Sua juventude não é alienada e pode ser engajada. Como já havia acontecido pelo mundo, hoje vimos que no Brasil: “o post é a voz que nos libertará”. Agora é a hora de sair do sofá. (Texto: Thiago Camara. Fotos gentilmente cedidas por Arthur William)  

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Tudo nada




Nada tudo esconde o medo do desejo absoluto
Tudo nada mais é fonte de um porto seguro
Nada tudo se rompe no pulsar da dor do luto
Tudo nada espera um olhar profundo
Nada tudo encanta um coração puro
Tudo nada pode ser perfeito
Há de haver defeito
Um sinal vermelho
Um amor desfeito
Um olhar sem jeito
Uma vida rara
Uma paz sonhada
Uma mulher amada
Uma folha amassada
Uma tristeza... passa
Um tudo... nada
(Thiago Camara)

domingo, 10 de março de 2013

O Méier foi a (à) Bahia


Pai e filho relembraram os sucessos do disco dos Novos Baianos de 1972 


A rua era a Dias da Cruz, Zona Norte carioca, mas parecia a baiana Praça Castro Alves. O som era da década de 70. Intenso, leve, alegre, daqueles que ecoam pelas memórias da vida. No palco, um velho e eterno novo baiano: Moraes Moreira.

No sábado, 9 de março, o show em comemoração pelos 40 anos do disco dos Novos Baianos – “Acabou Chorare” – levou uma catarse musical, ao novo Imperator (Centro Cultural João Nogueira), no Méier.  Sucessos se enfileiravam no set list, de “Besta é tu” a “Preta, pretinha”, passando por “Mistério do Planeta” e “Brasil Pandeiro”. Ao lado de Davi Moraes, seu filho, Moraes esbanjou vitalidade e energia para cantar a Bahia.  

“Pede para ele cantar uma musiquinha ruim. Tô cansado de tanta música boa”, afirmou, irônico e perplexo, meu irmão, companheiro desta jornada musical.

Durante o show, era como se o Farol da Barra estivesse ali, iluminando aquela noite. Como se as ladeiras do Pelourinho se materializassem com sua magia e alegria. O trio elétrico pedia passagem convidando aquela gente bronzeada a mostrar o seu valor. E foi o que Moraes Moreira fez: um grande Swing de Campo Grande, com a guitarra afinada e potente de Davi que protagonizou um dos melhores momentos da apresentação ao mostrar a força do “Maracatu Atômico”, e só no instrumental. Com direito a descida do palco para uma performance junto à plateia. Foi uma breve ponte entre o Rio e o Recife, ao lembrar de Chico Science e sua Nação Zumbi. A ausência da voz de Baby do Brasil foi sentida em “A menina Dança” e “Tinindo Trincando”. Mas a força da interpretação de Moraes e Davi deixou as lembranças de lado.

A parte técnica do Imperator contribuiu e muito para a qualidade da apresentação. Som e luz impecáveis também ajudaram a fazer o show ser memorável. A presença de um espaço cultural como este, em plena Zona Norte do Rio, mostra a importância de investimentos fora do eixo Centro-Zona Sul.
Influenciados pelos tropicalistas, surgiram os Novos Baianos nos anos 70. A Bahia ganhou o Brasil. O Brasil viu sua brasilidade ser reforçada pela intensidade, alegria e qualidade da música baiana. E naquela noite de 9 de março, o Méier foi a Bahia. Não se sabe bem se ela que veio a ele ou vice-versa. O que não se pode negar é que foi uma noite inesquecível de reverência ao melhor do Brasil.
(Thiago Camara)