quarta-feira, 28 de agosto de 2013

JMJ uma Aventura da Fé

          
           

           A Jornada Mundial da Juventude é mais que uma viagem que se faz com amigos para um país desconhecido, uma cultura nova, uma língua estranha. É uma aventura da fé*. Nas jornadas se vivem as alegrias e sofrimentos da vida. As facilidades e dificuldades do dia a dia, compartilhadas com milhares de outros jovens que nas suas realidades encontram a razão de suas vidas: Jesus Cristo.
Este Deus que veio ao mundo faz mais de 2000 anos é quem mobiliza milhares de peregrinos a um encontro de conversão, renovação e fortalecimento na vida espiritual.
         
           São dias de caminhadas longas, de muitas vezes ter fome, sede, cansaço. Nada disso, porém, é maior que a alegria de se ver no outro. Milhares de jovens compartilham contigo a mesma experiência. As dificuldades de testemunhar as maravilhas que Deus faz nas nossas vidas e atrair novos jovens para este caminho são comuns nos quatro cantos do mundo.   
         Talvez seja um pouco mais difícil, nos países onde a religião católica não é maioria. E a nobre e grande proposta da JMJ é poder revelar ao planeta a grandiosidade de uma Igreja que se une no anúncio do Evangelho. É uma Igreja viva, uma Igreja jovem que precisa encontrar o eco destes gritos nos terrenos paroquiais em que esses peregrinos habitam.
         
        É um desafio ir a uma jornada porque ela nos compromete. E este lema do Rio 2013 mais ainda: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28, 19). É como um retiro espiritual que se faz. Vive-se uma experiência transformadora, mas quando se volta para a realidade tudo continua da mesma forma, só você mudou. A grande aventura da fé é levar para o cotidiano o ardor missionário e a intensidade que vivemos as jornadas. Assumir-se filho amado imensamente por Deus e comprometer-se com Ele, mesmo quando chegam as tribulações.
         
          As JMJ’s nos estimulam a sermos jovens cristãos na alegria do louvor e das canções. Ensinam a respeitar o modo do outro de expressar sua fé (há espaço para todos. A Igreja é universal) sem acusações e julgamentos. Revelam que, se distâncias entre povos são encurtadas, as que separaram aqueles com quem convivemos diariamente devem ser abolidas. As jornadas incitam a esperança na humanidade, renovam a fé e emanam o amor por onde passam.

 Toda a aventura é um desafio. Papa Francisco lançou muitos entre nós. Se ainda falta um convite, acredite: “É possível ser cristão e ser feliz. Venha descobrir!”
 (Texto e fotos: Thiago Camara)

 *Uma aventura da fé”, assim é a Jornada Mundial da Juventude, afirmou o Cardeal Stanislaw Rylko, presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, em seu discurso na Missa de Abertura da JMJ Rio2013, no dia 23 de julho de 2013, em Copacabana.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Via Sacra: Silêncio e devoção



A Cruz Peregrina percorreu todas as 14 estações até o palco

Silêncio e devoção deram o tom da Via Sacra, encenada na Avenida Atlântica, em Copacabana, na sexta-feira, 26 de julho. Cerca de 1,5 milhão de pessoas reviveram o sofrimento de Cristo junto com o Papa Francisco que deu início a celebração pontualmente às 18h. O evento, um dos Atos Centrais da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), foi realizado por mais de 300 artistas e voluntários.  O texto utilizado na meditação das 14 estações foi escrito pelos padres dehonianos  Zezinho, SCJ e Joãozinho, SCJ.
- O silêncio que os jovens fizeram foi incrível. Comparando com o barulho que estava antes. Hoje seus corações ficaram quietos e se prepararam para ouvir o que o Santo Padre queria dizer”, disse a argentina Penélope Chávez, de 17 anos.
E a multidão de fato silenciou para o pontífice falar que Jesus se une a cada um dos seus filhos, nas alegrias e sofrimentos. Ele citou a dor das famílias que perdem seus jovens pela violência e citou tragédia da Boate Kiss, ocorrida em fevereiro deste ano, em Santa Maria, Rio Grande do Sul.
“Com a cruz, Jesus se une ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem clamar, sobretudo os inocentes e indefesos; nela Jesus se une às famílias que passam por dificuldades, que choram a perda de seus filhos, como no caso dos 242 jovens vítimas no incêndio na cidade de Santa Maria no princípio deste ano. Rezemos por eles”.
A concentração dos jovens durante toda a encenação foi marcante. Seja acompanhando as estações a pé, seja sentado diante dos telões espalhados pela orla. Irmã Ana Paula, de Rio Verde, Goiás, afirma que a juventude se entrega às celebrações como a Via Sacra por encontrar sentido nelas.  

A cantora Elba Ramalho participou da sexta estação da Via Sacra

- Aquilo que toca profundamente o jovem faz com que ele tome essa atitude que nós presenciamos hoje, de calar e contemplar o que é mostrado. Além disso, as atitudes do Papa fazem com que eles se coloquem por inteiro diante do momento que está sendo celebrado, disse ela.
O cortejo em que estava a Cruz Peregrina, ícone da JMJ, chegou ao palco principal às 19h, onde sete jovens representando os continentes do planeta fizeram preces pelas suas regiões. Em seguida, o Papa Francisco falou para a multidão sobre a certeza da fidelidade de Cristo em todos os momentos da vida:

“Queridos Jovens, viemos hoje acompanhar Jesus no seu caminho de dor e de amor, o caminho da Cruz, que é um dos momentos fortes da Jornada Mundial da Juventude. (...) ninguém pode tocar a Cruz de Jesus sem deixar algo de si mesmo nela e sem trazer algo da Cruz de Jesus para sua própria vida. (...) A cruz deixa (em nós) um bem que ninguém pode nos dar: a certeza do amor inabalável de Deus por nós”.
(Texto e Fotos: Thiago Camara)

sábado, 3 de agosto de 2013

Acolhida calorosa ao Papa



À espera do Papa Francisco, em Copacabana, foi de muito frio, ansiedade e expectativa. Jovens de idade e espírito lotaram a Avenida Atlântica que foi percorrida pelo papa móvel no início da noite de quinta-feira, 25 de julho. Bandeiras e blusas de vários países enfeitavam as grades que isolavam o trajeto. Entre elas, a da Argentina de Bergoglio com a família Angheben que desde às 15h aguardava a chegada do seu conterrâneo.
- Ele está muito emocionado e ansioso como nós estamos. Ele demonstra que quis nos encontrar aqui e revelar que é nosso pai, disse emocionado Daniel Angheben.
Daniel levou à Copacabana, a esposa Carolina Martin e os filhos Tadeu, Simon e Alejis. Ela elogiou o calor humano dos cariocas que fez a família esquecer os dias de frio que passaram na cidade. Tadeu Angheben, o filho mais velho do casal, estava empolgado com a oportunidade de ver o Papa.
- É muito importante estar aqui com o Francisco porque ele traz uma renovação. Ajuda muito a nós jovens a seguir adiante, rezando e sentimo-nos bem conosco mesmos, explicou Tadeu que tem 13 anos.


Família Angheben veio de Buenos Aires saudar seu conterrâneo
Quem se sentiu muito bem na Acolhida do Papa foi a menina Beatriz Fonseca, de 8 anos. Ela veio de Teresina, no Piauí, com a avó e ganhou um beijo e um abraço de Francisco. Entre os postos 5 e 6 da Atlântica, como já havia feito em sua passagem de papa móvel, o pontífice parou diante da menina e a abençoou.
Beatriz e sua avó Maria do Desterro: emoção ao ser abraçada pelo Papa

- Até esperava encontrar o Papa quando vim ao Rio. Mas foi muito melhor que tinha imaginado. Senti muita emoção. Todo sábado vou para igreja com minha mãe, avó, avô. Quando eu voltar para Teresina vou contar pra todo mundo que o Papa me beijou. Na verdade acho que todos já sabem porque viram na televisão, contou a menina com alegria.
Beatriz vai levar de ensinamento desta passagem de Francisco pelo Brasil, sua disposição e alegria.
- A gente tem que aprender com o Papa a simplicidade, a honestidade, alegria que ele tem. Ele não fica triste, não fica sério. Ele não é preocupado. A gente tem ser assim também, afirmou.
Como as famílias de Beatriz e de Daniel, milhares se reuniram na Praia de Copacabana para saudar a passagem do Santo Padre. O relacionamento dos brasileiros com suas famílias chamou a atenção do indiano Blasius Dsouza. Ele veio com um grupo de amigos que trabalham e servem à Igreja em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.


Grupo de indianos ficou encantado com a hospitalidade do carioca


- A relação das crianças e seus pais é maravilhosa. Nos orgulha muito ver isso. Os brasileiros são exemplo de respeito e carinho entre as famílias. É um modelo para o resto do mundo. A família é a verdadeira revolução do amor, afirmou empolgado. (Texto e Fotos: Thiago Camara/ Foto do Papa: Carlos Eduardo dos Anjos/JMJ Rio2013)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Um Papa na esquina


Papa Francisco passa pelas ruas da Glória (Fotos: Aline Corte Real)


Já era anunciado desde março que ele viria ao Rio, para Jornada Mundial da Juventude. O que ninguém esperava era que em uma semana o Papa Francisco se transformasse numa presença amiga, constante, marcante e surpreendente por onde passasse.
Assim o foi. Logo na sua chegada, o simpático hermano enfrentou o caos do trânsito carioca. Nada que não fizesse em sua Buenos Aires onde pegava ônibus e metrô para se locomover. Na Presidente Vargas, ele sentiu na pele o que passa o cidadão todos os dias na hora do rush. O povo na rua o acolhia. E ele, dentro de um carro popular, não mudou seu humor. Acenou, sorriu, abençoou. E preocupou as autoridades que trocaram farpas entre si sobre a responsabilidade do erro de segurança.


Os dias se seguiram e era comum ver Francisco sempre com as janelas abertas, transitando pela cidade. Os batedores anunciavam o amigo que viria para mais um compromisso da sua lotada agenda. Ele passou pela Glória, Praça da Bandeira, Rio Comprido, Botafogo, entre outros bairros. Deixava uma esperança no ar. Uma certeza de ser portador de um Deus da paz.
O que Bergoglio fez enquanto Francisco não é muito diferente do que fazia em Buenos Aires. Hoje ele é motivo de orgulho entre os de lá como me contaram vários peregrinos argentinos. Seu trabalho pastoral, principalmente entre as áreas pobres da capital da Argentina, estava impregnado na sua primeira visita apostólica. E suas atitudes conquistaram os brasileiros. Católicos ou não.
Francisco foi humano. Como seu santo homônimo. E por ter sido, assim espontâneo ainda causa estranheza em alguns que veem suas atitudes como estratégicas. Podem até ser. Mas num mundo sedento por referenciais, na ausência de líderes coerentes com seus propósitos, o Papa emerge e se destaca. Porque não só faz seu discurso e manda que os outros façam o que diz, ele realmente vive o que prega.


Nestes dias de JMJ no Rio, o costume de ver o Papa em cada esquina virou festa, alegria, muitas vezes euforia. E em nenhum momento este homem foi pedante e indiferente, como vimos muitos que saem das sacristias, pastorais e movimentos certos de que o céu a eles já está garantido.

Francisco ensinou muito com seus discursos e homilias. Na força com que entoava suas palavras. Porém, o seu legado para esta cidade e para o mundo é de que é possível viver uma vida cristã autêntica, alegre, jovem, comprometida e coerente. Sendo você mesmo. E que a mesma acolhida que sentimos de sua parte a cada bênção, aceno, sorriso e abraço por ele dado, seja agora nosso referencial de conduta enquanto cristãos católicos. Assim as pessoas voltarão a sentir prazer em frequentar a casa do Pai e ocuparão os bancos vazios da igrejas. (Thiago Camara)

Jornada franciscana

            
Religiosos da Ordem dos Frades Menores vieram até da Terra Santa para a JMJ


           O nome escolhido pelo Cardeal argentino Jorge Bergoglio foi o do jovem revolucionário de Assis. A inspiração surgiu de uma fala do Cardeal Arcebispo Emérito de São Paulo, Dom Claudio Humes para ele: “não se esqueça dos pobres”. O franciscano da Ordem dos Frades Menores confirmou este fato. E em entrevista a TV Bandeirantes, Dom Claudio disse que a visita do Santo Padre traz uma mudança na Igreja nacional e mundial.
            - Ele (o Papa) está trazendo uma alma nova para todos nós aqui no Brasil. A JMJ vai trazer uma renovação na nossa juventude. Renovar a fé nos nossos jovens neste mundo de hoje, afirmou.
A Jornada Mundial da Juventude deu visibilidade a milhares de irmãos e freis que consagraram sua vida a Deus a partir do carisma de Francisco. A Juventude Franciscana (Jufra) realizou um encontro pré-jornada, em São João Del Rey, Minas Gerais. Cerca de 200 jovens de 19 nacionalidades diferentes participaram e depois seguiram para o Rio.
Vindos de várias partes do mundo, até da Terra Santa, os franciscanos esbanjaram entusiasmo e alegria ao verem seu patrono ser representado pelo pontífice. Como Frei José Moraes, OFM, 24 anos e missionário em Angola. Ele acredita que melhor do que as palavras são os testemunhos que viu do Papa neste dias de JMJ.
- O nome não diz nada. O que diz são as atitudes que ele está apresentando à Igreja. Uma nova visão. Uma Igreja missionária, mais verdadeira e carismática.
Frei Bruno Vardiano, OFM, 40 anos, trabalha na Custódia da Terra Santa, em Israel. Lá onde Jesus nasceu, viveu, morreu e ressuscitou, a minoria, 1,8% da população, professa o cristianismo. Estar no Rio, para ele é um tempo de revigorar as forças.  
- Venho aqui trazer o anúncio da Igreja de Jerusalém de que Jesus ressuscitou. Venho trazer a notícia de que o túmulo está vazio. Vou levar essa empolgação da juventude para meu serviço pastoral. E nesses dias estou vivendo a alegria da ressurreição, disse.

Frei Luiz Carlos Rodrigues da Ilha Grande a Copacabana pra ver Francisco

Missionário na Ilha Grande-RJ, Frei Luiz Carlos Rodrigues, do Instituto dos Frades de Emaús, decidiu participar da Jornada de última hora. Não se inscreveu como peregrino, mas a empolgação em ver o Papa estava estampada no seu sorriso.
- Ele é uma presença profética para Igreja e para o mundo. Que vem denunciar o mal, a corrupção, o apego aos bens materiais. Ele nos mostra nesse despojamento o essencial da vida: amar a Deus, amar os irmãos e viver com simplicidade.

Alegria de Francisco no rosto dos religiosos da Providência de Deus

Vinte quatro pessoas ligadas à congregação dos Franciscanos na Providência de Deus vieram de São Paulo ao Rio para testemunhar o encontro do Papa com os jovens. Frei Carlos Burdini, de 27 anos, ficou surpreendido pela quantidade de jovens que viu nas ruas e tem esperança de tempos melhores para o mundo.
- O que mais me marcou nesta JMJ foi ver essa juventude cheia de Deus, sedenta da sua presença e dessa simplicidade. O mundo mostra que mais importante é ter do que ser. O Santo Padre diz que devemos Ser pobres, ser simples, ser jovens, e o mundo vai reconhecer isso, frisou. (Thiago Camara)